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Mercado, além de reparar os danos dos eventos adversos que ocorrem com pessoas e empresas, movimenta os setores de toda a cadeia produtiva
Na economia, o risco é um agente dos fortes. E para todo agente macroeconômico, um movimento paralelo acontece. A proteção passa a ser um instrumento primordial na hierarquia de despesas das pessoas e do setor produtivo. Para o risco, o mercado de seguros aparece como um mecanismo cuja função vai além da reposição de perdas. Além de reparar os danos dos eventos adversos que ocorrem com pessoas e empresas, os seguros assumiram papel importante na economia. No Brasil, em 2017, eles representaram 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB), movimentando R$ 470 bilhões em prêmios (valores pagos pelos segurados em 2017). Desse montante, R$ 277 bilhões voltaram à economia como indenizações e restituições de bens e patrimônios. E vale mais que isso.

O professor da Escola Nacional de Seguros, Bruno Kely, explica que devolver o equilíbrio financeiro evita, por exemplo, descompassos nas finanças de pessoas físicas e desabastecimentos da produção industrial ou agrícola, o que neutraliza reflexos inflacionários da queda de oferta. “Detalhe: o ‘restante’ do saldo também movimenta outros setores, já que não fica parado. As seguradoras passam a compor fundos de investimentos em áreas de retorno potencial e também no mercado de capitais”, diz.
São diversos produtos oferecidos por seguradoras no Brasil, que vão dos tradicionais seguros de carro e de residência, até os seguros de vida ou das atividades agrícola e industrial. Planos de saúde também integram o mercado. Ainda segundo Kelly, o seguro tem um objetivo social. “Os seguros não são feitos para dar lucro. Se der lucro, pode-se avaliar que há margem para fraude. A função é repor perdas causadas por fatos inesperados, algo que ocorreu subitamente e que tirou um lastro financeiro importante das pessoas ou de uma empresa. Considerando um seguro de vida, a perda de um ente ou um acidente que provoca invalidez têm grave impacto familiar, ou seja, um seguro de vida, apesar de a vida não ter preço, ajuda na reestruturação da família. Então tem esse lado social”, pontua.

O advogado e especialista em direito securitário do escritório Queiroz Cavalcanti Advocacia, Leonardo Cocentino, reforça que o seguro é um produto legal, regulamentado e que cumpre regras. “No Brasil, todas as seguradoras têm que seguir normas regulamentadas pela Susep, órgão responsável pelo controle e fiscalização dos mercados de seguro, previdência privada aberta, capitalização e resseguro. O mercado cumpre, por exemplo, requisitos de lastro financeiro de reservas para indenizar tudo que é coberto pela apólice. Ela é a lei dos seguros. É o contrato que vai detalhar tudo que é direito e dever das duas partes envolvidas. Então a recomendação é atentar para o contrato, onde vão estar também as causas de exclusão de cobertura”, destaca.

Uma recomendação para o bom funcionamento do setor é a transparência. “O segurado precisa prestar as informações para não haver falhas no cálculo do prêmio, que é o custo do seguro para o segurado. Esconder fatos pode ser interpretado como fraude e colocar em risco o recebimento da indenização. É o caso de dizer que o carro dorme em garagem quando ele fica na rua, onde está mais exposto a sinistros”, explica. “Outro equívoco é o de escolher correr riscos porque possui seguro ou então usar o seguro sem necessidade, o que ocorre principalmente em planos de saúde. O que também é bom esclarecer é que quem paga as indenizações ou os custos das consultas médicas são os segurados e não as seguradoras. A conta é simples. Quanto mais se usa, maior será o reajuste do plano de saúde ou o valor do prêmio do seguro, porque o cálculo do preço considera os riscos de sinistralidade, mas os reajustes são medidos a partir das despesas com indenizações dividido por todos os segurados”.

Saldo se torna investimento
Em termos econômicos, além de manter o equilíbrio das atividades das pessoas e das empresas a partir das indenizações, a gestão dos valores pagos pelos segurados às seguradoras tem procurado movimentar o dinheiro recolhido para rentabilizá-lo, inclusive financiando diretamente outras atividades produtivas. Com dados de 2017, aproximadamente R$ 200 bilhões estariam parados por não terem sidos demandados pelos segurados para pagar as indenizações. As seguradoras passaram a investir tanto em fundos de investimentos privados, capitalizando empresas que querem expandir, como também na aquisição de ações de empresas públicas e privadas.

“A economia brasileira possui muitos investidores institucionais e as seguradoras são um deles. Todo o dinheiro que ela recolhe dos prêmios, ela usa para pagar os sinistros e não deixar o restante parado passou a ser um uso eficiente do dinheiro. Esse dinheiro volta para a economia de várias formas e o principal é alimentar fundos de investimentos para viabilizar setores da economia de alto impacto, como o de construção civil. A Bradesco Seguros, por exemplo, já financiou a construção de um shopping center. O aluguel das lojas do shopping era rentabilidade para a seguradora”, destacou.

Outro mercado em questão é o de capitais. “Quando uma empresa quer se capitalizar para investir, ela abre o capital e faz uma oferta inicial de ações. O montante gerido pelas seguradoras também é aplicado nesse mercado, a roda vai girando e a economia vai se retroalimentando. Essa oferta de ações capitaliza a empresa, que reinveste no negócio para, na maioria dos casos, ganhar mercado e ampliar produção, o que a gente entende que promove avanços com empregos. É quando você percebe que a geração de empregos promovida pelo segmento de seguros vai além das seguradoras”, detalha.

Fonte: Diário de Pernambuco por André Clemente
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